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Brasil terá quase meio milhão de novos casos de câncer em 2010

O levantamento mostra que o câncer será mais prevalente nas mulheres (52%) doque nos homens (48%). Apesar de homens adoecerem e morrerem mais do que asmulheres, a população feminina é mais numerosa, especialmente nas faixasetárias mais avançadas, o que explica o resultado.

Oenvelhecimento é a principal causa de câncer em todo o mundo. A esperança devida da população brasileira, que era de 62 anos em 1980, será de 76 anos em2020. De acordo com o diretor geral do Inca, Luiz Antonio Santini, 43% doscasos ocorrem em pessoas com mais de 65 anos. Segundo ele, a expectativa deaumento do número de novos casos no Brasil nos próximos dez anos é de 34,6%.

O coordenador de Prevenção e Vigilância do Inca, Cláudio Noronha, acrescentaque o número de casos cresce na mesma proporção que o envelhecimento dapopulação.

Câncer mais comum mata pouco

O tipo de câncer mais comum, em ambos os sexos, é o de pele não melanoma, quesoma aproximadamente 114 mil casos novos, ou 23% do total de casos estimadospara 2010. Esse levantamento é separado dos outros, na estimativa, por setratar de uma doença com bom prognóstico e que implica baixíssimo risco demorte. Segundo Cláudio Noronha, 10% destes casos poderiam ser evitados com ocontrole da exposição ao sol.

Sem considerar o câncer de pele não melanoma, o número total estimado de novoscasos é de 375.420, o que significa dois casos a cada mil brasileiros por anoou 200 para cada 100 mil pessoas.

O tipo mais comum de tumor nos homens é o de próstata, seguido de pulmão, cólone reto, estômago, oral, esôfago, leucemias e pele melanoma. Entre as mulheres,os cânceres mais frequentes são os de mama, colo de útero, cólon e reto,pulmão, estômago, leucemias, oral, pele melanoma e esôfago.

Os dados utilizados para o cálculo têm como base o Sistema de Informação sobreMortalidade (SIM), do Ministério da Saúde, e os Registros de Câncer de BasePopulacional (RCBP). O Inca esclarece que a estimativa atual não pode sercomparada com as anteriores, porque reflete um contexto que se modifica aolongo do tempo.

Prevenção

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a tendência de mortalidade émenor em países desenvolvidos, onde a população tem mais acesso aos serviços desaúde. “Em média 40% das mortes por câncer poderiam ser evitadas”, afirma LuizAntonio Santini.

Além do envelhecimento e da exposição ao sol sem proteção, são fatores de riscoo tabagismo, o consumo de álcool, o sedentarismo, a ingestão de comidasgordurosas.

Estima-se que 30% dos novos casos de câncer previstos para 2010 (exceto os depele não melanoma) poderiam ser evitados com o combate ao tabagismo. E umaalimentação rica em frutas, verduras e fibras, além de pobre em gorduras,poderia prevenir 35% deles.

Diferenças entre regiões

Exceto no caso do câncer de próstata, que é o mais comum em homens em todas asregiões do país, cada região possui perfil diferente em relação à prevalênciade câncer masculino. Nas regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, o tumor maiscomum é o de pulmão. Já no Norte e no Nordeste, é o de estômago.

Em relação às mulheres, o câncer de mama só não é o mais comum no Norte, regiãoem que o tumor de colo de útero é o mais prevalente. No Sul e no Sudeste, ocâncer de cólon e reto é o segundo mais frequente. No Centro-Oeste e noNordeste, o segundo câncer mais comum é o de colo de útero.

O câncer de pulmão será mais frequente nas mulheres do Rio Grande do Sul (21para cada 100 mil mulheres). É lá, também, que estará o maior número de casosde câncer de próstata (80 para cada 100 mil homens) e de pulmão (48 para cada100 mil). Já o câncer de estômago será mais incidente entre os homens emulheres do Ceará (17 para cada 100 mil homens e 10 para cada 100 mil mulheres,respectivamente).

Detecção precoce

Em relação aos cânceres mais incidentes entre as mulheres – mama e colo deútero – alguns hábitos estão associados à prevenção. A amamentação, a práticade atividade física e alimentação saudável, além da manutenção do peso corporalestão associadas a um menor risco de desenvolver câncer de mama. A primeiragravidez após os 30 anos, o uso de anticoncepcionais orais, menopausa tardia ereposição hormonal são fatores de risco associados ao câncer de mama.

O Inca recomenda exame clínico das mamas anualmente a partir dos 40 anos emamografia bienal dos 50 aos 69 anos. A partir dos 40 anos, caso o exameclínico esteja alterado, é preciso realizar mamografia.

A incidência do câncer do colo de útero é cerca de duas vezes maior em paísesem desenvolvimento do que em países desenvolvidos. Este é um tumor passível deser evitado, prevenido e detectado precocemente por meio do exame dePapanicolaou, conhecido como "preventivo".

Mulheres de 25 a 59 anos devem fazer o exame Papanicolaou periodicamente. Se oresultado for normal em dois exames anuais seguidos, o preventivo deve serrepetido a cada três anos. As mulheres da região norte, onde a incidência dadoença é maior, têm menos acesso aos serviços médicos do que as das outrasregiões.

Já os homens a partir dos 50 anos devem procurar um posto de saúde ou um médicopara realizar exames de rotina. Se, apesar de não ter sintoma de tumor napróstata (dificuldade de urinar, frequência urinária alterada ou diminuição daforça do jato da urina, entre outros), o homem tiver histórico familiar dadoença, precisa relatar isso ao médico para fazer os exames necessários.

Investimentos

O gasto mundial com câncer é de cerca de US$ 286 bilhões, sendo que US$ 219bilhões são investidos nos Estados Unidos. Apenas 5% do total é investido emoutros países. No Brasil, segundo Santini, foram gastos, pelo SUS, em 2007, R$1.800.000. “A previsão é que os investimentos sejam duplicados em cinco anos,com um aumento de 20% ao ano”, informou. De acordo com ele, a partir do ano2000 houve um aumento do número de sessões de radioterapia, quimioterapia einternações. “O aumento do número de casos vem sendo acompanhado pelo aumentodas políticas públicas de saúde”, garantiu.

24/11/2009 - INCA anuncia número de novos casos decâncer esperados para 2010

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) apresentou à imprensa os destaques dapublicação Estimativa2010 – Incidência de Câncer no Brasil. São esperados para o próximo ano489.270 novos casos de câncer. O mais incidente será o câncer de pelenão-melanoma, com 113.850 casos. Em seguida vêm os tumores de próstata(52.350); mama feminina (49.240), cólon e reto (28.110) e pulmão (27.630). AEstimativa é produzida pelo INCA a cada dois anos, a partir das informações coletadaspelos Registros de Câncer de Base Populacional existentes no Brasil.

O diretor-geral do INCA, Luiz Antonio Santini, frisou a importância da Estimativapara que os gestores de saúde possam definir quais políticas devem ser implementadas,de acordo com os tipos de câncer mais incidentes em cada estado ou região. “Asestimativas mostram que a distribuição geográfica dos novos casos de câncer nãoé uniforme. As informações da Estimativa abrem oportunidades para a prevenção”,afirmou.

O coordenador de Prevenção e Vigilância do INCA, Cláudio Noronha, explicou que,apesar de os homens adoecerem mais de câncer, o número absoluto de casos émaior entre as mulheres. “O câncer é uma doença do envelhecimento. E como aexpectativa de vida entre as mulheres é mais alta, existem mais mulheres naterceira idade do que homens”. No total geral, são esperados 192.590 (51,3%)casos novos de câncer em mulheres em 2010 e 182.830 (48,7%) entre os homens.

Noronha informou que, à exceção do câncer de pele não-melanoma (tipo de bomprognóstico, muitas vezes tratado no ambulatório), os casos de câncer de pulmãoocupam o segundo lugar entre os homens no Brasil e nas regiões Sul, Sudeste eCentro-Oeste. No Norte e no Nordeste, esse tipo de câncer ocupa a terceiraposição, enquanto em segundo lugar estão os tumores de estômago.

Entre as mulheres também há diferenças regionais. O câncer de mama é o mais incidenteno Brasil e nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste. No Norte, aliderança fica com o câncer do colo do útero. As taxas brutas (número depessoas que podem desenvolver uma determinada doença num universo de 100 milhabitantes) também variam bastante, mesmo quando a comparação é entre um únicotipo de câncer ocupando posição idêntica no ranking regional.

O câncer de próstata ocupa a primeira posição em todas as regiões brasileiras,mas a taxa bruta triplica quando se compara a incidência esperada na RegiãoNorte (23,7%) com a Região Sul (69,4%). A taxa bruta para o câncer de mama noSul (64,3%) e no Sudeste (64,5%) é praticamente o dobro da esperada para oNordeste (30,1%) e o Centro-Oeste (37,7%).

Tanto Santini quanto Noronha enfatizaram que em torno de 30% a 40% dos novos casos decâncer poderiam ser evitados com mudanças de hábitos e comportamentos de risco,como eliminação do tabagismo, redução na ingestão de bebidas alcoólicas,proteção contra a radiação solar, prática de atividade física e alimentaçãoequilibrada, priorizando o consumo de frutas, legumes e verduras e reduzindo o de gorduras.

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